Com quem será?

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Hoje, dez de maio, é meu aniversário.

Tenho mesmo a obrigação de sorrir?

Não, eu não quero a facilidade do momento, quero a intensidade do saber-se. Como acordar e aos primeiros passos notar que a cama já não te conhece, ao tomar banho mais um pedaço de vida se lavou, mais uns fios de cabelo no pente ficaram. Às olheiras, sejam bem-vindas. Tento lembrar do que comi ontem: Nada! Mas aquelas recordações de anos atrás resistem. “Você abraçou um desconhecido pensando que era seu tio…”, “Entrou no carro de um amigo seu achando que ele tinha oferecido carona…”. Por que se culpar de coisas tão bobas? Há algo de que se envergonhar? Um pensamento me cerca: chore. E tudo começa, vem o choro, vem o berro, lágrimas – não caiam, eu quero ser forte, hoje é meu aniversário –, tarde demais, já sou toda debulhos. Hoje é meu aniversário, e a hora neutra da madrugada me fez lembrar, de todas as crises existenciais, de todos os sorrisos inconvenientes que não me arrependo de me proporcionar. Hoje é meu aniversário e quero uma ode ao meu inteiro movimento para me conquistar. Me pinto, me banho, me beijo e aceito o que a vida estiver a dar. (Ponto, pula duas linhas.)

Hoje é meu aniversário, e já chorei por amor. Já fui numa montanha russa e em nada se compara à sensação com a qual convivo neste momento, me despir diante de mim, renegando os instintos e desligando padrões, o que tem que ser feito todos os dias, mas hoje é meu aniversário e soprar velas também é simbolismo.  (Atividade em dupla, para nota.)

Meu aniversário, já escrevi cartas, para mãe, pai, avó e tia, um amor de escola e o bom velhinho. Hoje, escrevo para mim. Uma carta para dizer que aos vinte anos, há vida. Vou ao espelho, despida, o que a moral e os bons costumes falarão de mim hoje? Afinal, hoje é aniversário. Não houve espaço para um outro alguém.  (Velocidade= distância/tempo)

Hoje é meu aniversário, lembro que sou mulher. Reafirmo. Os contos de fadas mudaram, tem a princesa que ama aventura, a que protege as irmãs, tem a que protagoniza seu próprio final feliz. Tem representatividade. Então sorrio, mas…. Tudo no seu tempo. – Ufa, ninguém colocou o dedo em minha boca me exigindo silêncio. – Viajar sozinha ainda não!? (Conte de um até dez em inglês)

Hoje é meu aniversário, posso me dar ao prazer de diversão sem culpa, sair por aí (e a roupa, pode ser curta?) One. Hoje é meu aniversário, posso comer um bolo todo e não me preocupar com a balança? Two. Hoje é meu aniversário, se eu fizer um escândalo– sem saberem o motivo– me taxarão de louca? Three. Hoje é meu aniversário se eu não quiser  namorar aos quinze, vinte ou trinta…? Four. Hoje é meu aniversário, se eu não romantizar abuso? Five. Hoje é meu aniversário se eu me preocupar com a saúde mental? Six. E continua sendo meu aniversário, mas já não choro, sorrio, com seven, eight, nine and ten lembranças do quanto foi importante chegar aqui. Big, big, é hora é hora… Sopro a vela e todo o Mundo(“vasto mundo”) se transforma. (Discorra sobre o artigo 1° inciso III, da Constituição do Brasil)

Dignidade. Acrescento o contexto de uma vida inteira aqui, e, amanhã, já não é meu aniversário; me esforçarei para lembrar o que vivi: Pessoa humana. Comer o bolo, quando tem. O primeiro pedaço é de quem chegou até aqui.

Autoria: Gabriela visita Ah!gnes.

Imagem: Pinterest.

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