Comunicação e seus recortes

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Constantemente tenho lido sobre como estamos assassinando a língua portuguesa, diariamente leio posicionamentos mais que preconceituosos acerca das pessoas que se utilizam de expressões populares. Dada a região que resido, nordeste brasileiro, e, contrastando com a baixa escolaridade- sabida por meio de estatísticas-, nenhuma novidade até aqui. O que tem crescido é justamente os detentores das normas padrões da língua e o seu menosprezo por certas construções sociais.

O que eu tento dizer é: manifestações entendidas por nós como erradas, para estudiosos e- ainda mais para quem as utiliza- não representam nada mais que formas de comunicação. Ou será que desde que o mundo é mundo e o homem é homem nos comunicamos de tal modo exclusivo e padrão? Portanto, sabendo da sua resposta negativa para a pergunta anterior, é que me vem à cabeça: com quantos quilos de pão de uma família de baixa renda você comprou um livro recentemente? (Sabendo que os livros mais bobos e acessíveis do mercado editorial custam em média R$ 15,90 reais; e, em determinadas localidades 10 pães custam R$ 2,00 reais.)

O que gira em torno dessas expressões e erros, assim como a forma que convenientemente lidamos com eles, diz mais sobre como estamos fadados ao elitismo intelectual. Uma vez que em discussões frequentes é comum se observar, por exemplo, o menosprezo à identidade periférica, assim como o estigma da mulher barraqueira e do homem malandro.  E onde entra a comunicação nisso tudo? Sim, na vestimenta. No andar. Na maneira como interagem. Assim como, os lugares que ocupam.  Sobretudo, a propagação de vivências. Ou seja, muitas vezes a crítica massificada por uma elite intelectual envolve muitas outras esferas e alcança determinadas localidades de modo mais intenso.

Sugiro que, a cada erro gramatical, por mais absurdo que lhe pareça, tente ponderar as circunstâncias, levar em consideração o meio e a informação que se propaga. Depois disso, como pessoa sensata e igual as demais- compartilhe seu conhecimento-, mas não como forma de alimentar seu ego e se colocar como superior, apenas como modo de situar a pessoa sobre a possibilidade de formalidade/encaixe às normas. Caso não seja de interesse dela trocar expressões corriqueiras por uma modalidade mais formal da língua: oxente!

Trocar o mais pelo mas, não diz apenas sobre formalidades. O discurso por trás envereda discriminações, como também a falta de pauta sobre políticas educacionais. Deixo como reflexão e estudo de normas um poema de Manuel Bandeira:

“ (…) Te Adoro

Teoroda.”

 

Gabriela visita Ah!gnes.

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