Carta a um desconhecido

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Eu não te conheço, mas eu não aguento mais você!

Não suporto as suas mãos sobre meu corpo, seu peso sobre minha cabeça, sua pressão sobre a minha boca. Meus ouvidos já não suportam o meu grito interno e desesperado, prestes a explodir.

Sim! Eu sei o que significa um não, mas o não quando saí da minha boca é inaudível, porque você diz que não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, e no momento, você está me olhando.

Mas não, eu não quero estar por baixo, e aceitar sua subordinação, por isso vou pra cima, eu ataco, e novamente sou interpretada errado.

Sua voz é grossa, impotente, assustadora. Porque quando você fala todos ouvem e aplaudem, a sua voz é grande, extensa, perpétua, e mesmo que eu esteja longe, poderei sentir seu eco.

Sinto medo, mas não recuo. E dizem que se fiquei é porque aceito tudo.

Mas eu não corro, vou à luta, ser tachada de vadia e de puta. A palavra na boca perversa sempre muda, a corrosão assusta.

Eu não te conheço, mas te reconheço em tantos rostos, eu te ouço em tantas falas, te leio em tantos textos, e te assisto em tantos canais. Você não é um só, não tem gênero, nem princípios. Eu não te conheço, mas infelizmente, eu convivo com você, machismo.

Hulle Horranna

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