Uma xícara vazia

Hoje amanheceu cinza, fiquei olhando pra janela, esperando as gotas se chocarem contra o vidro e se tornarem uma só transparência, mas não choveu.

Por que eu sempre espero a chuva quando estou triste? Talvez eu não goste de chorar sozinha, talvez me console saber que algo maior que eu também desaba.

– o café vai esfriar.

Duas xícaras sobre a mesa, café quente, ninguém ali para tomá-los.

– eu te amo! – bebi o café

Ele mexia a colher na xícara dissolvendo os três sachês de açúcar que adicionara.

– o amor é um vazio…

Por um instante foi também silêncio, e eu não sabia se dizer algo, diria alguma coisa, o silêncio também era vazio, e combinava bem com o clima, com a mesa, com o tema, com nós dois.

Levantei-me! Se o amor é mesmo vazio, eu nunca estive dentro dele, e estar em frente a ele não faria diferença.

– se lembra do balão que te dei no parque?

Apenas o observei.

– é como o meu coração…

-vazio! – suspirei

– também… e é por isso que ele flutua.

Ele tem alma livre, não se prende, não se apega, não preenche, e eu só conseguia pensar em respostas que não falaria para ele.

– mas o balão está sempre cheio! Não é por que não vemos que não haja algo ali. Meu amor é assim, parece um vazio, e eu estou sempre nas nuvens com você.

Aquele vazio me fez desabar, como eu previ que aconteceria. Às vezes é preciso chover para voltar a ver as cores…

Hulle Horranna

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